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O Estágio e a Economia

06/08/2010

Por DIEGO SOUZA

O último levantamento realizado pelo Sistema Nacional de Empregos (Sine), em julho, mostrou que Santa Catarina é o Estado que tem o maior número de empregos com carteira assinada por habitante: 26%, enquanto a média nacional é de 16,6%. Este bom resultado não é exclusivo para as pessoas com experiência. As oportunidades para quem está entrando na vida profissional também são altas.

Quando o assunto é estágio, o Centro de Integração Empresa Escola (Ciee), em Florianópolis, é o que mais tem convênios com empresas. No ano passado, ofereceu 9 mil vagas para estudantes. No quesito emprego formal, os jovens catarinenses entre 16 e 17 anos ocuparam 35.772 vagas em 2008, conforme o Ministério do Trabalho. Entre 18 e 24 anos, foram preenchidos 386.475 cargos.

Uma pesquisa realizada com 752 jovens no site do Ciee questionou o que é mais importante em um estágio, e 64% afirmaram que a aprendizagem é o fator, enquanto 22% fazem pela bolsa-auxílio, 8% por causa da empresa onde vão atuar e 7% escolhem o trabalho por causa do horário.

A psicóloga e gestora de RH do Ciee de Florianópolis, Daniela Mendes, afirma que os jovens ainda cometem erros básicos na hora de montar um currículo ou ir a uma entrevista de emprego. “Algumas empresas buscam o conhecimento que os jovens podem proporcionar, mas mesmo assim essa faixa etária é a que mais sofre com o desemprego, talvez pela falta de qualificação. Há um grande número de pessoas na fila de espera por vagas”, avalia.

Principais erros

Daniela Mendes explica que na hora de montar um currículo, os jovens devem ficar atentos aos contatos fornecidos no currículo. “Muitas pessoas esquecem de checar o número do telefone e não colocam e-mail. É importante colocar também um objetivo curto e claro, bem como o que estuda e em qual fase está. Em hipótese alguma deve se colocar o número de documentos pessoais, muito menos a conta bancária. Foto, só quando solicitado”.

Na hora da entrevista de emprego, alguns jovens se vestem como se estivessem indo para uma festa. “Outro erro recorrente é o uso excessivo de gírias. Os candidatos devem ter em mente que a primeira impressão é a que fica”, salienta Daniela.

A estudante de Administração da 5ª fase Mayumi Tsuruyama faz estágio graças ao cadastro realizado no Ciee. Ela acredita que este primeiro contato com o mercado de trabalho melhora o desenvolvimento profissional e pessoal. “A gente sai da vida casa-universidade. Aprendemos muito sobre hierarquia, responsabilidade... Os jovens devem procurar agências de integração para que sejam acompanhados na procura pela vaga”, afirma Mayumi Tsuruyama.

Já a estudante de Psicologia Juliana Maciel não teve a mesma sorte. Ela está procurando uma vaga há três meses. “Além do mercado ser concorrido, os salários que pagam para os estagiários são muito baixos. Não dá pra pagar nem a faculdade”, reclama Juliana Maciel.

A Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE) desenvolve o projeto “Menor Aprendiz”, que insere jovens de 14 a 24 anos em cargos que demandam aprendizagem e qualificação nas empresas de médio e grande porte do Estado. Nesse processo, o jovem faz o ensino médio trabalha e faz um curso de qualificação em alguma instituição. O salário varia de acordo com o piso estadual da função.

No trabalho de fiscalização das empresas, onde SRTE checa a porcentagem mínima de cargos que deveriam ser ocupados por estudantes, a superintendência colocou 1.371 jovens no mercado em 2009. Até junho deste ano, 1.132 estudantes foram empregados neste mesmo processo de fiscalização.

Alex Amorim, funcionário do Sine Florianópolis, que trabalha no setor de captação de vagas, explica que é comum aparecer empregador contratando pessoas sem experiência. “Alguns empresários preferem os novatos do mercado por não terem vícios de outros trabalhos. Há vagas, mas o candidato precisa correr atrás”, comenta Amorim.

Para fazer o cadastro no Ciee, é necessário ter no mínimo 16 anos e estar cursando ensino médio, técnico ou superior.

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